José é vendido por seus irmãos
Judá e Tamar
E aconteceu no mesmo tempo que Judá desceu de entre seus irmãos, e entrou na casa dum varão de Adulão, cujo nome era Hira. E viu Judá ali a filha dum varão cananeu, cujo nome era Sua, e tomou-a e entrou a ela. E ela concebeu, e teve um filo, e chamou o seu nome Er. E tornou a conceber, e teve um filho e chamou oseu nome Onã. E continou ainda, e teve um filho, e chamou o seu nome Selá, e ele estava em Quezibe quando ela o teve. Judá pois tomou uma mulher para Er, o seu primogênito e o seu nome era Tamar. Er, porém, o primogênito de Judá era mau aos olhos do Senhor, pelo que o Senhor o matou. Então disse Judá a Onã, Entra à mulher do teu irmão, e casa-te com ela, e suscita semente a teu irmão. Onã porém, soube que esta semente não havia de ser para ele e aconteceu que quando entrava à mulher de seu irmão, derramava-a na terra, para não dar semente a seu irmão. E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que também o matou. Então disse Judá a Tamar sua nora: Fica-te viúva na casa de teu pai, até que Selá, meu filho, seja grande. Porquanto disse: Para que proventura não morra também este, como seus irmãos. Assim foi-se Tamar, e ficou-se na casa de seupai. Passando-se pis muitos dias, morreu a filha de Sua, mulher de Judá, e depois s consolou Judá, e sugiu aos tosquiadores das suas ovelhas em Timna, ele e Hira seu amigo o adulamita. E deram aviso a Tamar, dizendo: eis que o teu sogro sobe a Timna, a tosquiar as suas ovelhas. Então ela tirou de sobre si os vestidos da sua viuvez, e cobriu-se com o véu, e disfarçou-se, e asssentou-se à entrada das duas fontes que estão no caminho de Timna, proque via que Selá já era grande, e ela lhe não fora dade por mulher. E vendo-a Judá, teve-a por uma prostituta, proque ela tinha conberto o seu rosto. E dirigiu-se para ela no caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me entrar a ti. Porquanto não sabia que era sua nora, e ela disse: Que darás, para que entres a mim? E ele disse: Eu te enviarei um cabrito do rebanho, E ela disse: Dás-me penhor até que envies: Então ele disse: Que penhor e´que te darei? e ela disse: O teu selo e o teu lenço, e o cajado que está em tua mão. O ue ele lhe deu, e entrou a ela, e ela concebeu dele. E ela levantou-se, e foi-se e tirou de sobre si o seu véu, e vestiu os vestidos da sua viuvez. E Judá enviou o cabrito por mão do seu amigo o adulamita, para tomar o penhor da mão da mulher, porém não a achou. E perguntou aos homens daquele lugar, dizendo: Onde está a prostituta que estava no caminho junto às duas fontes? E disseram: Aqui não esteve prostituta alguma. E voltou a Judá, e disse: Não a achei, e também disseram os homens daquele lugar: Aqui não esteve prostituta. Então disse Judá: Tome-o ela, para que porventura não venhamos em desprezo, eis que tnho enviado este cabrito, mas tu não a achaste. E aconteceu que, quase três meses depois, deram aviso a Judá, dizendo: Tamar, tuanora, adulterou, e eis que está pejada do adultério. Então disse Judá: Tirai-a fora para que serja quaimada. E tirando-a fora, ela mandou dizer a seu sogro: Do varão de quem são estas coisas eu concebi. E ela disse mais: Conhece, peço-te de quem é este selo, e estes lenços e este cajado. E conheceu-os Judá, e disse: Mais justa é ela do que eu, porquanto não a tenho dado a Selá meu filho. E nuca mais a conheceu. E aconteceu, ao tempo de dar à luz, que havia gêmeos em seu ventre. E aconteceu, dando ela à luz, que um pôs for a mão, e a parteira tomou-a, e atou em sua mão um fio roxo, dizendo: Este saiu primeiro. Mas aconteceu que, tornando ele a recolher a sua mão, eis que saiu o seu irmão, e ela disse: Como tens tu rompido: Sobre ti é a rotua. E chamaram o seu nome Perez. E depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o fio roxo, e chamaram o seu nome Zerá.
José em casa de Potifar
E José foi levado ao Egito e Potifar, eunuco de Faraó, capitão da guarda, varão egípcio, comprou-o da mão dos ismaelitas que o tinham levado lá. E o Senhor estava com José, e foi varão próspero, e estava na casa de seu senhor egípcio. Vendo pois o seu senhor que o Senhor estava com ele, e que tudo o
que ele fazia o Senhor prosperava em sua mão. José achou graça em seus olhos, e servia-o e ele o pôs sobre a sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha. E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa, e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José, e a bênção do Senhor foi sobre tudo oque tinha, na casa e no campo. E deixou tudo o que tinha na mão de José, de maneira que de nada sabia do que estava com ele, a não ser do pão que comia. E José era formoso de parecer, e formoso à vista. E aconteceu depois destas coisas que a mulher de seu senhor pôs os seus olhos em José, e disse: Deita-te comigo. Porém ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo, e entregou em minha mão tudo o que tem. Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher, como pois faria eu este tamanho mal, pecaria contra Deus? E aconteceu que, falando ela cada dia a José, e não lhe dando ele ouvidos para deitar-se comela, e estar com ela. Sucedeu num certo dia que veio à casa para fazer o seu serviço, e nenhum dos da casa estava ali. E ela lhe pegou pelo seu vestido, dizendo: Deita-te comigo. E ele deixou o seu vestido na mão dela, e fugu, e saiu para fora. E aconteceu que, vendo ela que deixara o seu vestido em sua mão, e fugira para fora. Chamou aos homens de sua casa, e falou-lhes, dizendo: Vede, trouxe-nos o varão hebreu, para escarnecer de nós, entrou até mim para deitar-se comigo, e eu gritei com grande voz. E aconteceu que, ouvindo ele que eu levantava a minha voz e gritava, deixou o seu vestido comigo e fugiu e saiu para fora. E ela pôs o seu vestido perto de si, até que o seu senhor veio à sua casa. Então falou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: Veio a mim o servo hebreu, que nos trouxeste par escarnecer de mim. E aconteceu que, levantando eu a minha voz e gritando, ele deixou o seu vestido comigo, e fugiu para fora. E aconteceu que, ouvindo o seu senhor as palavras de sua mulher, que falava, dizendo: Conforme a estas mesmas palavras me fez teu servo, a sua ira se acendeu. E o senhor de José o tomou e o entregou na casa do cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam presos, assim esteve ali na casa do cárcere. O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor. E o carcereiro-mor entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do cárcere, e ele fazia tudo o que se fazia ali. E o carcereiro-mor não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão dele, porquanto o Senhor estava com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava.
José na prisão interpreta dois sonhos
E aconteceu depois destas coisas que pecaram o copeiro do rei do Egito, e o padeiro, contra o seu senhor, o rei do Egito. E indignou-se Faraó muito contra os seus dois eunucos, contra o copeiro-mor e contra o padeiro-mor. E entregou-os à prisão, na casa do capitão da guarda, na casa do cárcere, no lugar onde José estava preso. E o capitão da guarda pô-los a cargo de José, para que os servisse, e estiveram muitos dias na prisão. E ambos sonharam um sonho, cada um seu sonho na mesma noite, cada um conforme a interpretação do seu sonho, o copeiro e o paderio do rei do Egito, que estavam presos na casa do cárcere. E veio José a eles pela manhã, e olhou para eles, e eis que estavam turbados. Então perguntou aos eunucos de Faraó, que com ele estavam no cárcere da casa de seu senhor, dizendo: Por que estão hoje tristes os vossos semblantes? E eles lhe disseram: Temos sonhado um sonho, e ninguém há que o interprete, E José disse-lhes: Não são de Deus as interpretações? contai-mo, peço-vos. Então cotnou o copeiro-mor o seu sonho a José, e disse-lhe: eis que em meu sonho havia uma vide diante da minha face. E na vide três sarmentos, e estava como brotando, a sua flor saia, os seus cachos amadureciam em uvas. E o copo de Faraó estava na minha mão, e eu tomava as uvas, e as espremia no copo de Faraó, e dava o copo na mão de Faraó. Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: Os três sarmentos são três dias. Dentro ainda de três dias Faraó levantará a tua cabeça, e te restaurará ao teu estado, e darás o copo de Faraó na sua mão, conforme o costume antigo, quando eras seu copeiro. Pórém lembra-te de mim, quando te for bem, e rogo-te que uses comigo de compaixão, e que faças menção de mim a Faraó, e gaze-me sair desta casa. Porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus, e tão pouco aqui nada tenho feito apra que me pusessem nesta cova. Vento então o padeiro-mos que tinha interpretado bem, disse a José: Eu também sonhava, e eis que três cestos brancos estavam sobre a minha cabeça. E no cesto mais alto havai de todos os manjares de Faraó, obra de padeiro, e as aves os comiam do cesto de sobre a minha cabeça. então repondeu José, e disse: Esta éa a sua interpretação: os três cestos são três dias: Dentro de três dias Faraó levantará a tua cabeça sobre ti, e te pendurará num pau, e as aves comerão atua carne de sobre ti. E aconteceu ao terceiro dia, o dia do nascimento de Faraó, que fez um banquete a todos os seus servos, e levantou a cabeça do copeiro-mor, e a cabeça do padeiro-mo, no meio dos seus servos. E fez tornar o copeiro-mor ao seu ofício d ecopeiro, e este deu o copo na mão de Faraó. mas ao padeiro-mor enforcou, como José havia interpretado. O copeiro-mor porém, não se lembrou de José, antes se esqueceu dele.
José interpreta os sonhos de Faraó
E acotneceu que, ao fim de dois anos inteiros, Faraó sonhou, e eis que esava em pé junto ao rio. E eis que subiam do rio sete facas, formosas à ista e gordas de carne, e pastavam no prado. E eis que subiam do rio após elas outras sete vacas, feias à vista e magras de carne, e paravam junto às outras vacas na praia do rio. E as vacas feias à vista, e magras de carne, comiam as sete vacas formosas à vista e gordas. Então acordou Faraó. Depois dormiu, e sonhou outra vez, e eis que brotavam dum mesmo pé sete espigas cheias e boas. E eis que sete espigas miúdas, e queimadas do vento oriental, brotavam após elas. E as espigas miúdas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então acordou Faraó, e eis que era um sonho. E aconteceu que pela manhã o seu espírito perturbou-se e enviou e chamou todos os adivinhadores do Egito, e todos os seus sábios, e Faraó contou-lhes os seus sonhos, mas ninguém havia que os interpretasse a Faraó. Então falou o copeiro-mor a Faraó dizendo: Dos meus pecados me lembro hoje. Estando Faraó mui indignado contra os seus servos, e pondo-me sob prisão na casa do capitão da guarda, a mim e ao padeiro-mor, então sonhamos um sonho na mesma noite, eu e ele, cada um conforme a interpretação do seu sonho sonhamos. E estava ali conosco um mancebo hebreu, servo do capitão da guarda, e contamos-lhos, e interpretou-nos os nossos sonhos, a cada um interpretou conforme o seu sonho. E como ele nos interpretou, assim mesmo foi feito, a mim me fez tornar ao meu estado, e a ele fez enforcar. Então enviou Faraó, e chamou a José, e o fizeram sair logo da cova, e barbeou-se e mudou os seus vestidos e veio a Faraó. E Faraó disse a José: Eu sonhei um sonho, e ninguém há que o interprete, mas de ti ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas. E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim, Deus dará resposta de paz a Faraó. Então disse Faraó a José: eis que em meu sonho estava eu em pé na praia do rio, e eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado. E eis que outas sete vacas subiam após estas, muito feias à vista, e magras de carne, não tenho visto outras tais, quantom à fealdade, em toda a terra do Egito. E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas. E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado em suas entranhas, porque o seu parecer era feio como no princípio. Então acordei. Depois vi em meu sonho, e eis que dum mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas. E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental brotavam após elas. E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas, E eu disse-o aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse. Então disse José a Faraó: O sonho de Faraó é um só, o que Deus há de fazer, notificou-o a Faraó. As sete vacas formosas são sete anos, as sete espigas formosas também são sete anos, o sonho é um só. E as sete vacas magras e feias à vista, que subiam depois delas, são sete anos, como as sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental, serão sete anos de fome. Esta é a palavra que tenho dito a Faraó, o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó. E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a tera do Egito. E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra. E não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que haverá depois, porquanto será gravíssima. E que o sonho foi duplicado duas vezes a Faraó, é porque esta coisa é determinada de Deus, e Deus se apressa em fazê-la. Portanto Faraó se proveja agora dum varão entendido e sábio, e o ponha sobre a terra do Egito. Faça isso Faraó, e ponha governadores sobre a terra e tome a quinta parte da terra do Egito nos sete anos de fartura. E ajuntem toda a comida destes bons anos, que vêm, e amontoem trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem. Assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome, que haverá na terra do Egito, para que a terra não pereça de fome. E esta palavra foi boa aos olos de Faraó, e aos olhos de todos os seus servos.
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